quinta-feira, 16 de abril de 2015

Mania



Mania de achar que tudo é aqui e agora, achar que tudo tem hora. Divertido mesmo é andar descompassado, desordenado, sem chegada marcada, sem momento certo, sem estamos combinados, sem o sei como vai ser e como eu vou fazer, surpresa também pode ser bom, surpreendentemente bom. Mania que a gente tem de contar lugares, pessoas, situações, ruins e boas, mania de achar que tudo tem um motivo, e mesmo que não tenha a gente inventa um. Mania de sempre querer saber o porquê, ter as peças na mão, saber qual o próximo passo a ser dado, mania de vitória certa, vitória conquistada pode ser bom, surpreendentemente bom. Derrota também. Mania de achar que não pode mais frequentar lugares, escutar músicas, comparar sorrisos, por medo de lembrar, lembrar pode ser bom, surpreendentemente bom. Veja que irônico matar lembranças, a pior morte que existe é aquela que acontece dentro da gente, e a gente acha que é bom e bonito, e surpreendentemente, não é. Mania de achar que Deus é a solução ou o problema, mania de achar que Deus é solução pra todo problema, Deus não é solução e Deus também não é problema, Deus é amparo, Deus é base, é conjugar o verbo confiança, é confiar. Deus sabe exatamente pra quem sorri. Mania de arrepio, e mania de saudade. De confiar, muitas e muitas vezes. Mania de construir, concomitantemente destruindo. Mania de abraço e cheiro. Mania de palavras ditas e pensadas, mania de escrita. Mania de orgulho e humildade, de silêncio, de sorrisos, lágrimas, amigos, parceiros, de amores, de paixões, as que duram uma eternidade, as que duram três minutos, e as que não duram. Mania de vida. Mania de doar e receber, mania de acima de tudo saber reconhecer e valorizar, pessoas boas e momentos bons. E dentre todas as coisas, mania de lição.
                                                      
                     Não importa o que,  tudo nessa vida é aprendizado.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Caio Fernando Abreu



"A gente procura um amor que dure o mais possível. Procura, procura, talvez tu ache. Para mim é horrível eu aceitar o fato de que eu tô em disponibilidade afetiva. Esse espaço entre dois encontros pode esmagar completamente uma pessoa. Por isso eu acho que a gente se engana, às vezes. Aparece uma pessoa qualquer e então tu vai e inventa uma coisa que na realidade não é. E tu vai vivendo aquilo, porque não aguenta o fato de estar sozinho."

Meu sorriso, meu escudo



Se a inveja tem sono leve, então que ela nem durma ! Porque eu vou sim gritar minha felicidade, jogar na cara dessa gente pequena que eu tô aqui de pé, forte, e vai ser sempre assim ! Que de vez em quando eu posso fraquejar, mas pra me fazer cair tem que ser muito mais forte que eu, coisa que eles nunca serão. Ninguém de mentira tem capacidade de derrubar alguém de verdade, as tentativas andam até me divertindo. Meu bem, se você acha que tirou alguma coisa de mim, tenho más notícias: O que é meu de verdade, ninguém me tira. O que não é, eu mesma me desfaço. E eu sigo assim, com meu sorriso estampado mesmo quando meu coração não aguenta mais de dor. E eu tenho que seguir assim, firme mesmo quando eu tô transbordando insegurança, confusão. E quando estiver desandando muito, eu escrevo e vomito esse monte de coisa que ás vezes toma conta de mim. E não importa o quão difíceis sejam os meus dias, eu ainda estarei sorrindo. Com meu coração na boca, cabeça erguida, papel e caneta.

Tati Bernardi


E você lembra daquela sensação que sentia ao lado dele. De solidão profunda. E você descobre que ele acha que saudade ou vontade de fazer carinho se resume a uma passada de mão na sua bunda ou uma apertada no seu peito. E você percebe que a vida dele, que você tanto colocou no pedestal, pode ser um pouco boba ou até mesmo triste.

Agora eu sei.


Quer saber uma verdade ? Quando você ama uma pessoa ausente, a saudade esmaga no início, dói de verdade, mas uma hora, como tudo na vida, você se acostuma. Mais cedo ou mais tarde, se acostuma. No começo você quer saber como foi o dia dele, deseja a cada segundo que ele estivesse por perto, vai de cinco em cinco minutos fuxicar as redes sociais. Até, enfim, não sentir mais nada. Por muito tempo eu me convecia todos os dias que sua ausência era temporária, necessária pra sua vida voltar pro lugar, que você também tava morrendo de saudades e querendo que isso acabasse logo.Por muito tempo eu fechei meus olhos pro fato de você ser ausente e ponto, sem desculpazinha.Pro fato de você não sentir saudade merda nenhuma, porque eu me viraria do avesso pra gente se encontrar dez minutos e você não movia nem um dedo pra isso. Hoje, liberta do meu vício de você, eu vejo que sua ideia de amor, relação e carinho são um tanto quanto vazias, banais. Hoje percebo que você sempre me deu pouco, porque talvez seja seu máximo a oferecer. Sua vidinha vazia te faz feliz porque ela não te cobra maturidade,você pode ser moleque em paz. Tanto cara por aí, tanta vida pra eu entrar ainda, e eu esse tempo todo deixando o mundo escapar pra tentar prender você. Você acha que voa alto, e morre de medo de entrar em gaiola. Na verdade você nem voa, filhote não sai do ninho, esse sempre foi nosso problema. Quem voa sou eu. Agora eu sei.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Feliz eu já sou, aprendi



Verdade é que se alguém gosta de verdade de você, esse alguém só vai arrumar desculpas pra ficar junto, nunca o contrário. Se ele ama mesmo você, ele vai achar graça dos seus defeitos, vai entender suas manias e achar um charme seu temperamento difícil. Porque amar é isso, é se virar do avesso pelo outro, não querer virar o outro do avesso. Demorei pra aprender o valor do amor, e perceber quem gosta mesmo de mim. Demorei pra parar de inventar desculpas pra ausência do outro e começar a me pedir desculpas por me permitir viver com tão pouco. Mas entendi a tempo de parar de gastar meu coração e meus sonhos com quem tampouco merece meu bom dia. Agora eu guardo minha preocupação, meus esforços e meu carinho. Agora eu não remo mais sozinha, muito menos fico em barco parado. Eu pulo em alto mar. Em barco furado ? Eu nem entro. A gente aprende né ? Mais cedo ou mais tarde, aprende. A gente supervaloriza tanto certas pessoas, mas só até a gente entender nosso supervalor. Só se contenta com qualquer companhia, quem não sabe lidar com a própria. Agora são só duas opções: Me faz muito mais feliz ou me deixa em paz. Porque feliz eu já sou, e me roubarem a felicidade, eu não deixo mais.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Logo Ele..

                   
“Porque justamente ele? Ele era um vagabundo, ordinário. Um lindo ordinário. O jeito de andar era despojado, jogado. Era verdadeiramente um charme. Arrogante, estressado, idiota, com aquele olhar cativador, aquele sorriso de lado, que era assustadoramente perfeito. Perfeito. Mas porque ele? Não poderia ser o filho do açougueiro? Do padeiro? Do pedreiro? Mas era ele, aquele retardado, bobo e chato. Até o jeito de falar era diferente, cheio de gírias, palavrões. Palavrões até mesmo desconhecidos por ela. Porque não podia ter sido uma garota normal? E gostar de um garoto bonzinho, estudioso, bonito apenas. Sem aquele olhar tentador, aquele charme absurdo. E aquela pegada que ninguém mais tem. Arrepiou-se. Como ela podia gostar de alguém como ele? Não fazia nada pra agradar ninguém. Preguiçoso, estúpido, aquele tipo que não levava desaforo pra casa. Não era o tipo dela. Arrumada, maquiada, com suas roupas de marca. Perfumada, educada, toda perfeita. Ele era um vagabundo. “Deveria ter ouvido mamãe, não fique com ele!”, discutia com si mesma em pensamento. Com raiva, levantou-se da cama. Olhou novamente para ela, não iria retirar aquilo dali. Ele colocou, ele que a tirasse. Mas quantas vezes ela teria que falar? Não podia ser ao menos organizado? Atento e menos chato? Ele não era nada disso, ele era chato, e ao mesmo tempo carinhoso, mas não deixava de ser chato. Mas ela adorava isso. Sorriu abertamente, deixou-se aprofundar os pensamentos. Lembrou-se de quando ia ao seu apê, aos finais de semana, e ao chegar estava tudo jogado pelo chão, desarrumado, não sujo, mas desarrumado. Ele era desorganizado! Riu ao lembrar-se de como ele ficava desesperado quando ela chegava de repente e encontrava aquela bagunça toda, e ele catava tudo desesperadamente. “Agora não, tudo sou eu!” , pensou novamente, cruzando os braços. Era absurdamente desorganizado e chato. Um bico abriu-se em sua face. Respirou e sentou-se novamente na cama. Mas era dele o seu amor, foi com ele que viveu os momentos mais felizes de sua vida até então. Tão diferente dela, ele a completava. Era ele seu porto seguro, seu protetor, o mais chato de todos, mas era ele, quem lhe dava conselhos _ “que são uma porcaria!” , pensou aceitando os fatos, para logo sorrir. Não podia reclamar tanto assim. Deixou de se lamentar pela estupidez do amor, ela haveria de aceitar. A gente não escolhe quem amar. Ela o amava, olhou novamente para lateral da cama, levantou-se e recolheu o que tanto odiava. Todo santo dia era assim. Era aquela bendita toalha molhada sobre a cama. Sorriu. Afinal, sempre sonhou com isso. Não com a tolha molhada, mas em estar casada com ele. Dividindo o mesmo teto, o mesmo quarto, a mesma cama. Sabia que seria assim, então sorriu. Ele poderia ser o cara mais desorganizado do mundo, o mais chato, o mais besta, o mais imbecil, mas era o amor da vida dela.”

Conspirada

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Te encontrei.


E eu, finalmente, te encontrei. Te procurava havia anos, a muito tempo já vinha preparando minha vida pra sua chegada. Organizei tudo, afastei tudo o que atrasava, limpei o coração e perfumei a casa com incessos. E você, chegou, finalmente chegou. Tão do jeitinho que eu esperava que fosse, com todos os defeitos que eu adoro aceitar. Chegou e trouxe junto com você toda a esperança de um amor novinho em folha, uma nova chance de colorir tudo, de ocupar com todos os seus ares o espaço que havia aqui dentro. Logo eu, que achei que você nunca chegaria, depois de tanta demora e espera. E agora eu tenho tudo o que as princesas de contos de fadas morreriam de inveja: um príncipe só meu, cheio dos defeitos aceitáveis que encaixam minhas neuroses sem fim. Times opostos, gostos musicais diferentes, signos que não combinam segundo a astrologia. Eu esperei tanto tempo por isso, que confesso tenho medo de te perder. Porque é isso que acontece quando eu gosto demais: as pessoas resolvem partir e deixar um tanto de saudade. E, apesar de toda a insegurança, até quem me vê passar na rua sabe que eu estou amando, o quanto eu deixei o passado pra trás e o quanto valeu a pena eu investir no presente. O amor veio, te trouxe, pra ficar, pra mim. E ai dele se quiser te levar de volta. Logo eu, que só sei escrever sobre desilusões, resgatando a esperança do fundo do poço e escrevendo sobre o amor. Logo eu, que não sei nada sobre o amor, que não sei como é ser plural. Logo eu, que nem sei o verdadeiro significado da palavra reciprocidade dei pra achar que mereço te amar e ser amada da mesma forma e exclusivamente por você. Logo eu.

(De: Nathália Pereira)

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Talvez você volte, talvez não.




E talvez você volte. E então, finalmente, eu poderei te dizer tudo o que não te disse na última vez que nos vimos. Eu deveria ter te dito tanta coisa, expressado tanto sentimento, ter te mostrado a parte boa do meu eu, ter entregue a você tudo o que há de bom em mim. Mas por medo da falta de reciprocidade, eu deixei os atos e palavras escaparem, se perderem como se fossem nada, como se não fizessem diferença. E você se foi, sem nada. Sem ouvir saindo da minha boca algumas palavras que estão engasgadas na minha garganta e que, querendo ou não, você as ouviria ecoadas pelo vento em uma tarde solitária. Você se foi e só deixou um gosto de café amargo, essa saudade que preferiu se estacionar em mim. Saudade essa, que deita em teu lugar na minha cama, que insiste em ocupar o teu espaço no meu colo, que me acolhe e ao mesmo tempo, me destrói. Essa maldita saudade que quebra minhas forças, derrete o coração de pedra e traz lágrimas aos meus olhos. E agora, eu vou seguir a vida, carregando essa saudade imensa pela estrada e deixando um pouquinho em cada parada, em cada encontro. Eu vou perder, aos poucos, essa vontade do teu ser, essa esperança do retorno, esse grito pelo teu aconchego. Eu aprenderei a viver. Sem você, sem nós. Mas talvez você volte, e talvez eu já tenha espalhado toda a saudade que restara pela estrada. Talvez eu já esteja sentindo falta de um outro alguém, caminhando de um jeito novo, com um amor novinho em folha. Vai passar, eu sei que vai. Mas enquanto isso eu vou seguir, com a mesma saudade de ontem, de hoje e, se assim quiser o destino, talvez não de amanhã. Vou seguir, vou viver. Meu coração é teu, mas não acredito que por muito tempo. Vou viver, com toda essa incerteza do talvez, mas vou. Porque talvez você volte. Talvez não.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Ou vai, ou fica.






Já tinha sido assim antes, eu conhecia o fim de trás pra frente e não ia fazer as mesmas coisas, errar comigo assim de novo. Acabei de sair de um inferno, jurando que não iria arriscar entrar em outro tão cedo, aí você aconteceu e eu não consegui e nem quis evitar. Tudo que eu queria era paz, mas você me faz tão bem e eu fui ficando, gostando, me apegando demais. Eu tenho medo todo dia, todo minuto, mas eu também morro de vontade, saudade de você, então eu paro de pensar nisso tudo e acordo e vou dormir mais um dia pensando em você. Não quero namorar, casar e ter filhos semana que vem. Não queria me envolver com alguém desse planeta tão cedo. Só queria ficar parada, quietinha, pra nada me doer outra vez. Só que eu gosto muito de você, muito mesmo, de alguma forma estranha, ainda que esteja cedo pra isso, ou tarde, eu gosto demais. E apesar de tudo, eu prefiro estar com você hoje, amanhã e depois. Sem contrato de amor eterno, sem peso, sem pressão, até o dia que não der mais e só, foi bom, acabou, sou do tipo que quando decide alguma coisa, paga pra ver, se for caro, tudo bem, porque tudo passa sempre. E se você escolher passar agora, tudo bem também, eu escolho você, que fique claro. Mas se prefere ir embora, se cuida, não vou te pedir pra ficar.